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Para o estudante universitário o Natal é: uma noite de paz ou uma noite de desespero? : GBU

Para o estudante universitário o Natal é: uma noite de paz ou uma noite de desespero?

Para o estudante universitário o Natal é: uma noite de paz ou uma noite de desespero?

Escrito por Raquel Roxo Couto

Há uma música de que gosto imenso, escrita para os filmes das Crónicas de Nárnia chamada In Like A Lion, da banda Relient K, que a certa altura diz «It’s always winter, but never Christmas» («É sempre inverno, mas nunca é Natal»). Sinto-me mais ou menos assim, desde que entrei para a universidade.
Passo o semestre a estudar, a trabalhar, a envolver-me em várias atividades para aprender tudo o que puder, para ser uma boa serva do meu tempo e para colocar em prática os dons que Deus me deu nas oportunidades que ele coloca à minha disposição; tudo isto coisas que gosto bastante de fazer! Estou apaixonada pela minha área de estudos, pelos lugares que tenho visitado, pelas pessoas que tenho conhecido e por toda a caminhada que tenho tido o prazer de aprofundar – e mesmo assim, não consigo evitar sonhar com as férias na época de Natal. Quanto mais pequenos os dias se tornam, mais lentamente se aproxima o descanso; quanto mais escuras as tardes, mais pesado é estudar depois de um longo dia de aulas, e este inverno parece me impedir de aproveitar o Natal em condições. Ainda por cima sendo estudante deslocada, logo em novembro começa a minha contagem decrescente para estes dias de regresso a casa: passar tempo com a família tanto quanto tirar um tempo pessoal, brincar com os meus cães, reencontrar amigos de secundário, deliciar-me com a comida de casa e perder-me por horas nos meus passatempos preferidos, para os quais não tenho tempo durante a época de aulas.


Apesar de saber que este descanso é um direito humano essencial, e não um prémio apenas para quem trabalhou muito, sinto-me culpada quando não estou constantemente a ser produtiva de um ponto de vista universitário, ou seja, se não estou a estudar ou a fazer projetos e relatórios, não estou a ser diligente no uso do meu tempo – o que é um raciocínio incorreto e nada saudável! Porém, a avalanche de avaliações que me espera em janeiro (e que foram marcadas pelos meus professores sob a expetativa de que eu devo aproveitar estas semanas precisamente para estudar) faz com que me sinta obrigada a abdicar do meu descanso, com a única alternativa de “desleixar-me” e não cumprir os meus objetivos de estudante. É um conflito interno constante entre sentir-me exausta enquanto trabalho, e sentir-me preguiçosa enquanto descanso: tenho vindo a perceber que é muito fácil distorcermos quaisquer um destes conceitos até ao ponto de não termos um equilíbrio saudável entre trabalho e descanso, mesmo que Deus nos tenha deixado instruções claras em relação ao trabalho (Provérbios 6:6-11, Eclesiastes 9:10, Efésios 6:7-8, II Timóteo 2:15) da mesma forma que deixou acerca do descanso (Génesis 2:3, Êxodo 34:21, Mateus 11:28-30, Hebreus 4:9-11). Fico a matutar neste dilema e, entretanto, passam-se as duas semanas de interrupção, e tudo o que me lembro do Natal é um stress absurdo de acabar projetos e colocar matéria em dia.

Aprender a encontrar este equilíbrio não tem sido muito suave e ainda nem cheguei lá perto, mas a verdade é que não estou sozinha nesta situação e que, desde que eu dedique todo o meu trabalho e descanso a Deus, que me deu quer os dons e as ferramentas com que trabalhar quer o tempo de repouso, Ele é fiel e justo para cumprir as suas promessas, e dar-me-á as forças que preciso para cumprir a minha missão com brio e amor. Sim, devo me esforçar e ter bom ânimo em tudo o que faço, mas isso nunca deve me obrigar a comprometer outros valores que Deus me deixou, em particular o do descanso, e descanso nos braços do meu Salvador!

A minha oração por vocês, estudantes que se sentem assoberbados por todo o trabalho que vos bate à porta, é que, nesta altura de celebrar o Príncipe da Paz que nasceu e morreu para nos salvar, possam refletir sobre as Suas promessas, sentir o Seu conforto e aproveitar o descanso entre família, amigos e tudo o mais de importante na nossa vida, entregando as preocupações acerca do ano, ou mês, seguinte nas Suas mãos cuidadosas.

A Raquel Roxo Couto é estudante de 2º anos em Engenharia Aeroespacial no Instituto Superior Técnico em Lisboa

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